CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA

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domingo, 22 de dezembro de 2013

Noites em Claro

-Noites em Claro-

E logo estarei eu, a chorar
E logo estarei eu, a sangrar.
Minha alma não quer parar!
Estou-me a poetizar aos cantos e recantos
Estarei espalhado, deitado ao chão desta velha casa.
Solenemente decreto o caos dentro do ser que ainda luta para estar vivo...
Meu drama, meu convívio.
Meu teatro mágico, coração em vidro!

Eis me que já estou em resto, somente pó
Estou só! Estou só! Oh!
Aonde minha alma fora se esconder?
Porque meus sentimentos foram se desfazer?
Ah! Aonde estou preso?
Preso na podridão de algo que se chama canção.
A mais bela entre os mortos.
Aquela que se levanta...
Aquela que se levanta...
E que... Agora me ama.
Em noites de tormenta
Aquela que senta... E canta...

Autor: Joey Spooky Rose


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Cargo

Um excelente curta-metragem chamado Cargo. O curta é australiano e foi dirigido por Ben Howling e Yolanda Ramke, e é tão bem produzido que foi um dos finalistas do Tropfest (a maior premiação de curtas do mundo).

A história é de um pai que acorda após um acidente de carro e vê que sua mulher virou um zumbi e esta tentando comê-lo. Ele pega a filha no banco de trás e foge, mas vê que foi mordido e que vai virar zumbi, assim pensa em um plano para salvar a filha.

O curta tem 6 minutos, não precisa de legendas e já foi visto mais de 3.5 milhões de vezes. As opiniões na página do Youtube são as melhores e muitos usuários dizem até ter chorado. 


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Do Outro Lado

Autor: Joey Spooky Rose


Do Outro Lado


Que tal correr na floresta, subir nas árvores e brincar de carrinhos em miniatura?
Que tal sorrir, almoçar e jantar ao lado de minha família?
Pai e mãe e minha irmãzinha mais nova. Loira de cabelos lisos até a cintura, olhos azuis e pele branca como a neve. Meu pai robusto, dedicado e de voz firme, o homem da casa. Minha mãe, uma mulher de quarenta e cinco anos, linda, vaidosa, simpática e dona de casa. Ela aparentava ter ainda os seus vinte anos de idade.

Que tal olhar para as pessoas e fazer novas amizades?
Mas eu não posso. Talvez eu seja um monstro. Um perigo para mim mesmo.
Morto aos sete anos de idade, quando meu pai começou a me bater por rejeitar a ser um advogado. Por rejeitar sua própria religião, que o torna tão patético e fraco.
Morto por uma mãe que não dava a mínima para os seus filhos. Morto por uma irmã que seguia suas regras e ria de mim, sempre que eu apanhava. Ou sempre que eu era obrigado a ir para aquele terrível lugar, onde pessoas oravam por um Deus que brincava com suas formigas. Um Deus que brincava de Deus. O psicótico tão aclamado. O assassino em série que para todos não era um perturbado. 

Que tal brincar de matar? Brincar de nadar nos rios de sangue que saiam de minha mais nova cicatriz.
Que tal?
Ah sim...
Eu me esqueci de me apresentar. Eu sou Roberto e tenho dezesseis anos de idade. Nascido em Sorocaba, interior de São Paulo. Uma cidade não muito pequena, que agora fedia a medo e a obsessão. O medo deles era realmente perturbador. A minha obsessão era a minha glória. A minha vitória.
Que tal me declarar um santo? Ter a minha imagem no altar, “Roberto, o santo crucificado por sua própria espécie.”.
Ah sim... Eu os matei. E faria novamente.
Ver minha irmã mais nova gritando desesperada ao ver a garganta de minha mãe cortada. Ela também gritou ao ver o crânio de meu pai esmagado, sujando meus sapatos. Olha só! Eu já ia me esquecendo. Meu cachorro, o matei a facadas quando ele tentou proteger minha família de seu próprio inferno. Estavam ali, as cinco facadas. Uma delas em seu peito, ainda sangrando com a faca afincada.
“Chegou a sua hora” falei para mim mesmo quando vi minha irmã chorando, gritando. Os gritos pararam. Meu rosto agora, manchado por seu sangue. Seu rosto cortado. Sua garganta dilacerada. Um sorriso em meu rosto...
Todos ficaram assustados por me ver retirando os corpos para fora de minha casa. Enterrei meu pai e o cachorro e antes que pudesse enterrar minha irmã e minha mãe, a polícia chegou.
As luzes iluminando a noite escura e fria...
-Mãos para o alto!
Como se eu me importasse por eles estarem ali. Saquei logo a pistola que meu pai guardava em casa. Ah sim, ele era policial aposentado.
Alvejado por tiros que vinham de todos os lugares, ali estava eu. Preso em meu próprio corpo, cuspindo sangue e sorrindo para o primeiro policial que apareceu ali para ver se eu estava realmente morto. Minha única visão antes de morrer?
Minha irmã e minha mãe, lado a lado, mortas. Meu sorriso. Minha morte.

Mas agora eu preciso ir. É chegada a hora. Meu nascimento. Meu tormento. Quem me dera saber que tudo isso vai acontecer...
Eu preciso ir. É chegada a hora.


-Roberto.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Lago das Árvores



Era tarde, quase duas horas da madrugada e lá estava Frank com seu gato deitado em seu colo. Ele lia em seu computador, sobre um artigo escrito há pouco tempo.
O artigo era de um jornal de sua cidade, que falava sobre acontecimentos recentes perto de onde morava.
Duas crianças brincavam em um lago, aproximadamente seis horas da tarde, segundo as crianças elas haviam visto uma mulher parada, de cabelos negros e vestido branco. As crianças haviam contado aos pais o que viram e seus pais disseram que a mente processou tudo aquilo e que não era real. Pouco tempo depois as crianças sumiram sem deixar vestígios.
Em poucos meses, relatos vieram aparecendo de todo o canto, crianças e jovens enlouquecendo e sumindo sem mais nem menos.
Frank lendo o artigo começou a sentir arrepios e decidiu ir dormir. Na manhã seguinte, na escola, Frank combinou com mais dois amigos de ir até o lago para ver se essa história era realmente verdadeira. Às oito horas da noite se reuniram em sua casa e caminharam até o lago. 
Não viram nada.

Desacreditados, eles voltaram até a casa de Frank onde iriam dormir.
-Frank? Frank acorda...
Sem perceber Leo, Paula e Frank estavam na presença de algo que eles nunca imaginaram que realmente fosse acontecer.
Frank não acordava e Paula começava a ficar cadê vez mais assustada. Trancados no próprio medo, eles tentavam acreditar que aquilo não era real.
Uma horas da madrugada e Frank finalmente acorda, ao abrir os olhos, seus amigos gritam. Frank estava com os seus olhos brancos e seu sorriso era extremamente assustador.
Sentado na cama, Frank não dizia sequer uma palavra. Frank parecia um boneco, duro, apenas com o sorriso no rosto.
Seus amigos correram cada um para sua casa e esperaram o dia amanhecer para ver se aquele pesadelo acabava.
-Senhorita Clovis, o Frank está?
Paula no dia seguinte ligou para Frank, mas sua mãe havia dito que Frank havia saído de noite com uma moça e que não teria voltado até o momento.
Dois dias depois do desaparecimento de Frank, Clovis chama a polícia e uma grande busca começava. Frank havia sumido.

“A mãe de Frak, dona Clovis, relatou o desaparecimento de seu filho dois dias depois dele ter saído. Ela relatou que uma moça foi até sua casa para sair com seu filho. Clovis não perguntou nada, pensou que a moça poderia ser a namorada de Frank e com medo de constrangê-lo não procurou saber sobre a moça.
Começamos as buscas pelo garoto de 18 anos. Ficamos dois meses à procura dele, até que no terceiro mês o achamos. Ele estava parado, sentado em uma pedra no ‘Lago das Árvores’. Chamamos ele enquanto nos aproximávamos lentamente, mas ele não respondia. Quando chegamos perto, eu o toquei no ombro e chamei seu nome. Ele estava gelado e duro como pedra. Eu e meus homens decidimos ver ele de frente. Um enorme sorriso além do normal havia em seu rosto e seus olhos estavam extremamente arregalados e brancos, tão branco que parecia brilhar no escuro. Às meia noite demos entrada na morte do menino, às meia noite e meia avisamos dona Clovis sobre seu filho. Duas semanas depois, Paula e mais um amigo seu sumiram. Alguns meses depois foram encontrados da mesma maneira, no mesmo local. Paula era a única de pé, mas também estava dura como pedra e sorrindo além do normal. É como se um espírito tivesse os levado e deixado os corpos sorrindo ali, sorrindo como se fosse uma grande piada...
Só de pensar nestes casos eu já me arrepio, relatos nesta cidade sobre uma moça fantasma ocorriam e encontrar os garotos daquela maneira, era assustador. Espero que Deus abençoe esta cidade e que Jesus Cristo tenha piedade destas maldições que aqui reside.”


-Cherife, Gordon.


O Diário dos Mortos



E lá estava eu novamente...
Esperando por algo mais doce do que a dor.
Mas o que será que aqueles olhos brancos faziam me encarando?
Pareciam estar olhando no fundo de minha alma!
Mais um copo de Whisky e eu ainda esperava...
Eu a via ali, parada... E ela continuava a me encarar. A cada minuto parecia cada vez mais insuportável! Meus cabelos negros agora manchados estavam grudados, molhados...
Mas o que será que aconteceu afinal?
A corte me esperava e minha cabeça já não estava no lugar.
O fogo esquentava a minha pele. Aquele lugar enfeitado com crânios e uma energia estranha. O lugar parecia ter um ar gélido por natureza. Quem o criou estava perturbado em pensar que os mortos não rondariam aquele lugar. Mas não importa.


Querido diário,
Na noite de hoje fiz com que ela me olhasse. Ela me encarou por horas e minha alma parecia viajar ao lado dela. Ela me desejava como nunca havia me desejado.
Algo estranho aconteceu. Aquele lugar ainda me assombrava. Mas certamente, aquele lugar me agradava.
Eu neste momento estou olhando para ela. Fizemos amor a noite toda, foi incrível! O amor realmente ressurgiu das cinzas, da decomposição da vida.
Ah sim! Uma bela canção... Uma bela canção...
Uma canção de amor, amor e vaidade. A morte rondava aquela cidade.
Seus olhos azuis pareciam transparentes, quase brancos.
Seus cabelos negros enrolavam em minhas mãos...
Ela dizia me amar e queria estar comigo...
Ela queria estar comigo...
E eu...
Ah... Eu estive com ela...

Eu estive com ela...

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Palhaço de Susy

Susy chegou pontualmente às nove da noite na casa onde iria cuidar de duas crianças, uma de três anos de idade e outra de cinco ano,s enquanto seus pais iriam a um jantar de negócios em uma cidade vizinha.
Depois de dar algumas instruções para a baba, o casal saiu da casa deixando-a com as crianças que já haviam ido se deitar.
Algum tempo depois ela escutou choro de crianças no andar de cima onde ficavam os quartos e foi lá ver o que era. Chegando lá encontrou as duas meninas chorando muito.

-O que foi? -Perguntou Susy.

-Eu não gosto de palhaços. -Disse uma delas estendendo a mão para um canto do quarto.

Susy levou um susto ao ver um boneco de palhaço do tamanho de uma pessoa adulta, sentada em uma cadeira de balanço que ficava no canto do quarto. Segundos após recuperar do susto, ela também ficou com medo, pois aquele boneco era muito assustador. Pensou ela, porque os pais deixariam um boneco tão feio no quarto das meninas. Por fim, ela sentou e cantou canções para as duas, até elas voltarem a dormir. Depois disso voltou para o primeiro andar da casa e foi assistir televisão.

Um estouro acompanhado do choro das meninas minutos depois, alertou novamente a babá. Ela correu para o quarto onde as meninas encontravam-se chorando da mesma forma que antes.
-Vocês tem que voltar a dormir. Ainda estão com medo do palhaço?
-Ele estourou um balão pra nos assustar. -Disse uma delas.

Susy olhou para o chão e viu um balão vermelho estourado. Uma agulhada no estomago a deixou preocupada. Ela olhou para o palhaço mais uma vez e pensou se ele estava em outra posição do que a primeira vez que ela o viu. Ela também ficou com medo e disse para as meninas que iria pedir para os pais virem embora. Desceu as escadas e pegou o telefone que estava na parede, mas estava sem linha. Foi até sua bolsa, pegou o celular e digitou o numero deixado pelos pais das crianças. A mulher atendeu.

-Oi aqui é a Susy, eu estou ligando porque as meninas estão com muito medo. Eu queria saber se eu posso tirar ou cobrir aquele boneco de palhaço gigante lá no quarto delas.
-O que? Nós não temos nenhum boneco de palhaço em casa. -Respondeu a mãe das crianças.
Susy então deu-se conta que não ouvia o choro das crianças e saiu em disparada para a escada. O suor frio descia pela sua testa, seu coração disparado e a boca seca deixou claramente a sensação de pavor que ela sentia naquele momento. Cada degrau da escada parecia ter quilômetros, como aqueles pesadelos que tentamos correr e não conseguimos.

A única coisa que a mãe da criança escutou foi um grito e o telefone caindo no chão. O casal voltou para casa imediatamente e quando chegaram encontraram as duas crianças e a babá mortas. Todas tinham seus rostos pintados de palhaço e um balão de hélio amarrado no braço.



Jack Killer

Autor: Joey Spooky Rose

-Jack Killer


"Toda noite aquele homem sentia seu coração bater tão forte, 
que ele podia ouvir os gritos de sua alma."


Em algum lugar onde ruas de paralelepípedo se encontraram com baixa luz, vivia um homem...
Este homem tinha por volta de quarenta anos de idade e vivia sozinho.
De poucas palavras, fazia poucos amigos. Seu Deus estava pintado em sua mais perversa obra de arte, a "The Child Severed" (A Criança Decepada).
A The Child Severed era um enorme quadro velho, de molduras de ouro e empoeirada.
Sua casa, um casarão antigo e caindo aos pedaços, se destacava naquele estranho lugar.
Homem de poucas palavras. De poucos amigos.
Vivia de sua escrita que pra ele era fracassada, mas as suas histórias de assassinato e horror, eram vendidas facilmente.

-De algum modo as pessoas gostam do horror, da tragédia. Mas como podem temer a própria morte? -Dizia pra ele mesmo, aquele homem que assistia televisão.

Dizia-se que este homem passou por uma trágica experiência, de sua própria criação.
Ficar trancado dentro de um casarão velho, sem contato com outras pessoas, sem contato com nenhum ser vivo, parecia realmente algo além da compreensão.
Porém, ele também optou por viver sem a luz elétrica e passou a viver apenas a luz de velas, o que deixava sua casa um pouco escura.
Essa experiência durou um ano e o enlouqueceu.
A pedido de seu psiquiatra, Jack Killer passou a tomar medicamentos, ele então passou a viver da arte obscura, o que era seu grande fascínio.
Cultos estranhos, pinturas horrendas, escritas de romance trágico, estudos de religiões antigas, demonologia, entre outras coisas bizarras passaram a tomar parte de sua vida.
Suas músicas tocadas por ele em seu piano, eram extremamente mórbidas e pareciam dar prazer a ele, um prazer parecido com o prazer sexual.
Homem de intelecto, Jack Killer gostava muito de músicas clássicas e principalmente de Réqueim, que na liturgia cristã era espécie de prece ou missa especialmente composta para funerais.  Na música, por sua vez, o termo faz referência às composições feitas sobre os textos litúrgicos relatados na primeira acepção, muito embora haja referências ocasionais a outras composições musicais em honra aos mortos.

Em sua casa havia um quarto onde Jack Killer guardava muitas estatuetas de santos e uma bíblia empoeirada, que deixava em cima de uma mesa alta.
O mais estranho é que ele não é religioso e acredita em seu Deus, como uma criança cuja cabeça foi arrancada. Ao redor desta criança, lobos negros com muito ódio. Aos céus cinzentos, corvos que gritavam, gritavam mais alto do que seu próprio coração.
Toda noite aquele homem sentia seu coração bater tão forte, que ele podia ouvir os gritos de sua alma.

Jack Killer era supervisionado e saia sempre na companhia de dois homens de terno preto.
Jack Killer usava uma máscara branca para sair de casa, seus cabelos longos e negros voavam como uma sombra. Jack Killer dizia que sua face não podiam ser vista devido a sua divindade.
Dono de uma mente brilhante, participou de várias apresentações com orquestras, porém, seu estilo vazio e mórbido chamava a atenção das pessoas. Uma atenção que fazia com que todas ficassem longe.
Jack Killer não se sentia sozinho, muito menos triste. Ele não sentia nada e não fazia questão alguma de se socializar.
Jack Killer havia sido internado por três anos, devido há três assassinatos cometidos. Ele foi julgado como insano pela corte. Jack Killer estrangulou sua mulher e dizia que ela havia se transformado em um demônio, cujo vivia a luz do dia como uma linda e elegante mulher, mas que a noite se transformava em um ser horrendo, que queria saborear sua carne.
Seus dois filhos foram assassinados também, Jack Killer havia estrangulado as duas crianças de mais ou menos nove anos de idade e depois de estrangula-las, Jack Killer cortou a cabeça delas.
Quando ele terminou de matar as crianças, a policia entrou em sua casa e o viu no andar de cima, de frente para a escada, ainda segurando as cabeças em suas mãos. Os corpos rolaram pela escada, banhando-a em sangue.
"O corpo das crianças só pararam de rolar quando tocaram nossos pés. O barulho dos corpos rolando foram horrendos." -Dizia um dos policiais, em um depoimento dado na delegacia.

Jack Killer hoje é controlado por remédios e homens fortes vivem como se fossem sua sombra. Jack ainda vive por sua própria arte, o macabro.
Jack Killer fumava muito e de noite, às vezes, tinha ataques, surtos de ódio e medo.
Dizia que os espíritos das crianças riam e cantavam enquanto o espírito de sua mulher o perseguia dizendo o quanto ele poderia ser saboroso.